A semana, marcada por grande turbulência, vai chegando ao fim com o mercado focando na crise dos bancos e no novo arcabouço fiscal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje com equipe de governo para debater a tão esperada proposta. O anúncio deve ser feito nos próximos dias.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na quarta-feira (22) para definir a taxa de juros.
No cenário internacional, os investidores perderam a confiança nos bancos regionais dos Estados Unidos e no Credit Suisse, da Europa, em razão da crise que começou com o colapso do Silicon Valley Bank, com sede nos Estados Unidos, há uma semana.
Além disso, investidores aguardam pela reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano), também na próxima próxima quarta, para saber quais serão os rumos da política monetária após os estrondos provocados pelos bancos.
No Tesouro Direto, às 15h32, o único título a apresentar alta no retorno era o Prefixado 2033, ativo que também oferecia o maior juro, de 13,19%, superior aos 13,16% desta quinta-feira (16). O piso era entregue pelo Tesouro Prefixado 2026, com 12,32% ao ano, inferior aos 12,39% da sessão anterior.
Já todos os títulos atrelados à inflação apresentavam queda, com relação ao fechamento de ontem. O Tesouro IPCA+ 2045 oferecia retorno de 6,45% ao ano, com recuo em comparação à véspera, que registrava valor de 6,51%.
Copom
Na quarta-feira (22) acontece a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que vai definir se haverá aumento ou manutenção da taxa Selic, que está hoje em 13,75% ao ano. “A próxima reunião acontece em meio a um contexto macroeconômico delicado. Por um lado, a última leitura do IPCA registrou aceleração da inflação e deterioração da composição mostrando uma alta de preços mais resiliente. Mas, de outro lado, há um cenário de crédito complexo aqui e lá fora”, afirma Antonio van Moorsel, estrategista-chefe e sócio da Acqua Vero.
Segundo ele, isso proporciona ao Copom um novo argumento técnico para defender a redução da taxa de juros e ao mesmo tempo atender ao desejo do governo, sem que se possa dizer que o Banco Central se dobrou às pressões políticas.
“É possível a interpretação de que o colapso dos dois bancos pode apertar as condições financeiras, desacelerando a inflação e a economia global. Além disso, na esfera fiscal há outros fatores que corroboram a sinalização de cortes da Selic. Por exemplo a retomada de tributos sobre combustíveis ainda que parcial”.
Desta forma, destaca van Moorsel, a expectativa para a decisão é a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano e uma sinalização do Banco Central de iniciar o corte da taxa ao longo dos próximos meses, a depender dos desdobramentos macroeconômicos.
Crédito e PIB
A projeção para alta do PIB em 2023 passou de 2,1% para 1,61%, de acordo com o Ministério da Fazenda. A nova projeção reflete a desaceleração da indústria e do setor de serviços.
O cenário de crédito foi um dos principais itens que fez o governo projetar a desaceleração do PIB. Guilherme Santos Mello, secretário da Política Econômica do Ministério da Fazenda, diz que “o crédito está extremamente elevado, inviabilizando atividades e investimentos”. Ele acrescentou que o governo está endereçado em reestabelecer o crédito no País.
O secretário acrescentou que o Brasil apresenta inflação menor que muitos países: “Estamos descolados da taxa de juros real”. Segundo Mello, isso se traduz na desaceleração da atividade econômica.
Taxa de desemprego
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro, praticamente estável em relação à desocupação verificada em outubro (8,3%). Em dezembro, a taxa estava em 7,9%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e foram divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O dado ficou um pouco acima do esperado pelo mercado, que previa uma taxa de desocupação de 8,3%, segundo o consenso Refinitiv.
A taxa do período de novembro a janeiro é a menor registrada pelo IBGE desde 2015. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve queda de 2,9 pontos porcentuais.
Produção industrial EUA
A produção industrial nos Estados Unidos permaneceu inalterada em fevereiro em relação a janeiro, mas apresentou queda de 0,2% na comparação com fevereiro de 2022, informou nesta sexta-feira o Federal Reserve (Fed). O dado mensal veio pior que o esperado pelo consenso Refinitiv, que previa alta de 0,2% em fevereiro.
Em fevereiro, a produção manufatureira subiu 0,1% e o índice do setor de mineração caiu 0,6%, enquanto a produção de serviços cresceu 0,5%.
OCDE
Os impactos da política monetária restritiva liderada por bancos centrais ao redor do mundo começaram a aparecer no setor bancário, indica a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório divulgado nesta sexta-feira, 17.
O documento aponta que o aperto monetário para combater a inflação é um dos riscos centrais para o crescimento global, considerando as incertezas sobre a escala e duração necessárias para o ciclo restritivo reduzir a inflação sustentadamente.
Fonte: InfoMoney